Adoniran Barbosa



Disco 1

1.Saudosa Maloca
2.Tiro Ao Álvaro
3.Mulher, Patrão E Cachaça
4.As Mariposas
5.Torresmo À Milanesa
6.Nós Viemos Aqui Prá Que
7. Agüenta A Mão, João
8. No Morro Da Casa Verde
9. Samba Italiano
10.O Casamento Do Moacir
11.Trem Das Onze
12.Prova De Carinho
13.Joga A Chave
14.Apaga O Fogo Mané

Disco 2

1.O Samba do Arnesto
2.Iracema
3.Tocar na Banda
4.Conselho de Mulher
5. Bom Dia Tristeza
6. Triste Margarida (Samba do Metrô)
7.Viaduto Santa Efigênia
8.Abrigo de Vagabundo
9.Já Fui Uma Brasa
10.Despejo na Favela
11.Fica Mais Um Pouco Amor
12.Acende o Candieiro
13.Malvina
14. Vive Verso Meu Endereço

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Standard - André Maciel

Yamandú Costa - Yamandú



01 - Brejeira
02 - Mariana
03 - Gauchinho
04 - Chamamé
05 - Chorando por amizade
05 - Tristeza do Jeca
06 - Flamengo
08 - Bahia x Gremio
09 - Machucando
10 - Cristal
11 - Meu Avo
12 - Galderismo
13 - Habanera

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O grito

( Edvard Munch)

Diante da Lei

(Franz Kafka)

Diante da lei está postado um guarda. Até ele se chega um homem do campo que lhe pede que o deixe entrar na lei. Mas o sentinela lhe diz que nesse momento não é permitido entrar. O homem reflete e depois pergunta se mais tarde lhe será permitido entrar. "É possível", diz o guarda "mas agora não". A grande porta que dá para a lei está aberta de par em par como sempre, e o guarda se põe de lado; então o homem, inclinando-se para diante, olha para o interior através da porta. Quando o guarda percebe isso desata a rir e diz: "Se tanto te atrai entrar procura fazê-lo não obstante a minha proibição. Mas guarda bem isto: eu sou poderoso e contudo não sou mais do que o guarda mais inferior; em cada uma das salas existem outros sentinelas, um mais poderoso do que o outro. Eu não posso suportar já sequer o olhar do terceiro". O camponês não esperava tais dificuldades; parece-lhe que a lei tem de ser acessível sempre a todos, mas agora que examina com maior atenção ao guarda, envolto em seu abrigo de peles, que tem grande nariz pontiagudo e barba longa, delgada e negra à moda dos tártaros, decide que é melhor esperar até que lhe dêem permissão para entrar. O guarda dá-lhe então um escabelo e o faz sentar-se a um lado, frente à porta. Ali passa o homem, sentado, dias e anos. Faz infinitas tentativas para entrar na lei e cansa o sentinela com suas súplicas. O sentinela às vezes o submete a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe por sua pátria e por muitas outras coisas, mas no fundo não lhe interessam especialmente as respostas. Pergunta como o faria um grande senhor; e sempre termina por manifestar-lhe que ainda não pode entrar. O homem, que para realizar aquela viagem teve de se abastecer de muitas coisas, emprega tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo, mas diz: "Aceito-o para que não julgues que te descuides de alguma coisa". Durante muitos anos aquele homem não afasta os seus olhos do sentinela. Esquece-se dos outros sentinelas e chega a parecer-lhe que este primeiro é o único obstáculo que lhe impede entrar na lei. Nos primeiros anos maldiz a gritos sua funesta sorte, mas depois, quando se torna velho, limita-se a grunhir entre dentes. E como nos longos anos que passou estudando ao sentinela chega a conhecer também as pulgas do seu abrigo de pele, tornado outra vez à infância, roga até a essas pulgas para que o auxiliem a quebrar a resistência do guarda. Por fim vê que a luz que seus olhos percebem é mais fraca e não consegue distinguir se realmente se fez noite ao redor dele ou se simplesmente são os olhos que o enganam. Mas agora, em meio às trevas, percebe um raio de luz inextinguível através da porta. Resta-lhe pouca vida. Antes de morrer concentram-se em sua mente todas as lembranças e pensamentos daquele tempo em uma pergunta que até esse momento não tinha ainda formulado ao sentinela. Como seu corpo já rígido não se pode mover, faz um sinal ao guarda para que se aproxime. Este precisa inclinar-se profundamente pois a diferença de dimensões entre um e outro chegou a fazer-se muito grande em virtude de empequenecimento do homem. "Que é o que ainda queres saber?" pergunta o sentinela. "És incontentável". "Dize-me", diz o homem, "se todos desejam entrar na lei, como se explica que em tantos anos, ninguém, além de mim, tenha pretendido fazê-lo?". O guarda percebe que o homem está já às portas da morte, de modo que para alcançar o seu ouvido moribundo ruge sobre ele: "Ninguém senão tu podia entrar aqui pois esta entrada estava destinada apenas para ti. Agora eu me vou e a fecho".

Uma Tarde Plena

(Clarice Lispector)

O sagüim é tão pequeno como um rato, e da mesma cor.
A mulher, depois de se sentar no ônibus e de lançar uma tranqüila vista de proprietária pelos bancos, engoliu um grito: ao seu lado, na mão de um homem gordo, estava aquilo que parecia um rato inquieto e que na verdade era um vivíssimo sagüim. Os primeiros momentos da mulher versus sagüim foram gastos em procurar sentir que não se tratava de um rato disfarçado.
Quando isso foi conseguido, começaram momentos deliciosos e intensos: a observação do bicho. O ônibus inteiro, aliás, não fazia outra coisa.
Mas era privilégio da mulher estar ao lado do personagem principal. De onde estava podia, por exemplo, reparar na minimeza que é uma língua de saguïm: um risco de lápis vermelho.
E havia os dentes também: quase que se poderiam contar cerca de milhares de dentes dentro do risco da boca, e cada lasca menor que a outra, e mais branca. O sagüim não fechou a boca um instante.
Os olhos eram redondos, hipertireóidicos, combinando com um ligeiro prognatismo - e essa mistura, se lhe dava um ar estranhamente impudico, formava uma cara meio oferecida de menino de rua, desses que estão permanentemente resfriados e que ao mesmo tempo chupam bala e fungam o nariz.
Quando o sagüim deu um pulo no colo da senhora, esta conteve um frisson, e o prazer encabulado de quem foi eleita.
Mas os passageiros olhavam-na com simpatia, aprovando o acontecimento, e, um pouco ruborizada, ela aceitou ser a tímida favorita. Não o acariciou porque não sabia se esse era o gesto a ser feito.
E nem o bicho sofria à míngua de carinho. Na verdade o seu dono, o homem gordo, tinha por ele um amor sólido e severo, de pai para filho, de dono para mulher. Era um homem que, sem um sorriso, tinha o chamado coração de ouro. A expressão de seu rosto era até trágica, como se ele tivesse missão. Missão de amar? O sagüim era o seu cachorro na vida.
O ônibus, na brisa, como embandeirado, avançava. O sagüim começou a comer biscoito. O sagüim coçou rapidamente a redonda orelha com a perna fina de trás. O sagüim guinchou. Pendurou-se na janela, e espiou o mais depressa que podia - despertando nos ônibus opostos caras que se espantavam e que não tinham tempo de averiguar se tinham mesmo visto o que tinham visto.
Enquanto isso, perto da senhora, uma outra senhora contou a outra senhora que tinha um gato. Quem tinha posses de amor, contou.
Foi nesse ambiente de família feliz que um caminhão quis passar à frente do ônibus, houve quase encontro fatal, os gritos. Todos saltaram depressa. A senhora, atrasada, com hora marcada, tomou um táxi.
Só no táxi lembrou-se de novo do sagüim.
E lamentou com um sorriso sem graça que - sendo os dias que correm tão cheios de notícias nos jornais e com tão poucas para ela - tivessem os acontecimentos se distribuído tão mal a ponto de um sagüim e um quase desastre sucederem na mesma hora.
“Aposto” - pensou - “que nada mais me acontecerá durante muito tempo, aposto que agora vou entrar no tempo das vacas magras”. Que era em geral seu tempo.
Mas nesse mesmo dia aconteceram outras coisas. Todas até que dentro da categoria de bens declaráveis. Só que não eram comunicáveis. Essa mulher era, aliás, um pouco silenciosa para si mesma e não se entendia muito bem consigo própria.
Mas assim é. E jamais se soube de um sagüim que tenha deixado de nascer, viver e morrer - só por não se entender ou não ser entendido.
De qualquer modo fora uma tarde embandeirada.

Fonte:BlogClariceLispector

Osespaciais e Quarteto Imprevisível - Baseado em Samba

Tom Zé (2008) - Estudando a Bossa




01 introdução (brazil, capital bueno
02 barquinho herói
03 joão nos tribunais
04 o céu desabou
05 síncope jãobim
06 filho do pato
07 outra insensatez, poe!
08 roquenrol, bim-bom
09 mulher de música
10 Brazil, Capital Buenos Aires
11 amor do rio
12 bolero de platão
13 solvador, bahia de caymmi
14 de terra para humanidade


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Saturno devorando seus filhos

(Goya)

Retrato

(Cecília Meireles)

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Som Imaginário - Matança do porco




01 - Armina
02 - A 3
03 - Armina (Vinheta 1)
04 - A nº 2
05 - A Matança do porco
06 - Armina (Vinheta 2)
07 - Bolero
08 - Mar Azul
09 - Armina (Vinheta 3)

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André Maciel - Cuidado Companheiro

O Teatro Mágico - Segundo Ato



01 - Amadurecência
02 - O Mérito e o Monstro
03 - Cidadão de Papelão
04 - Pena
05 - Opus Erectus (allegro ma nem tanto)
06 - Sina Nossa
07 - Si Atromiso
08 - Criado Mudo
09 - Sonho de Uma Flauta
10 - (!)
11 - Eu Não Sou Chico Mas Quero Tentar
12 - #@s!@
13 - Alguma Coisa
14 - Abaçaiado
15 - Xanéu Nº 5
16 - Os Insetos Interiores
17 - A Primeira Semana
18 - F. Chopin (Opus 64 C#m)
19 - '...'

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Flor

Manoel de Barros por Pedro Paulo Rangel e Manuel de Barros



01 O Livro Das Ignorações (VII)
02 O Livro Sobre O Nada
03 Matéria Da Poesia
04 Introdução A Um Caderno de Apontamentos
05 A Borra
06 Retrato
07 Palavras
08 As Lições De RQ
09 O Livro Das Ignorações (I, II, II, IV, V, VI, XII, XIII)
10 Caderno De Apontamentos (XIII)
11 Ruína
12 Retrato do Artista Quando Coisa (I, II)
13 Um Amigo
14 Mundo Pequeno (I)
15 Retrato Do Artista Quando Coisa (III, IV)
16 Retrato Do Artista Quando Coisa (XIV, XV, XVI)
17 O Livro Sobre O Nada (III, IX, X, XI, XIII, XIV)
18 Caderno De Apontamentos (XXVI)
19 Seis Ou Treze Coisas Que Aprendi Sozinho
20 O Poeta
21 Apêndice
22 O Livro Das Ignorações (XIX), Mundo Pequeno (VII), Auto-retrato
23 O Livro Das Ignorações


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Gil e Jorge - Ogum, Xangô



01. Meu Glorioso São Cristóvão
02. Nega
03. Jurubeba
04. Quem Mandou (Pé na Estrada)
05. Taj Mahal
06. Morre o Burro, Fica o Homem
07. Essa É Pra Tocar no Rádio
08. Filhos de Gandhi
09. Sarro

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War/No More Trouble | Playing for Change | Song Around The World

Existir é Ser Possível Haver Ser

(Álvaro de Campos)

Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
— Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena... se transforma em outra coisa —
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Uma coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
—Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!

Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstrato
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!

Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?

Ah, não, nenhuma — nem morte, nem vida, nem Deus!
Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
Porque é preciso existir para se criar tudo,
E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.

Fonte:Citador

O inventário fantasma



Fonte:CinemaCultura

En RachâChant

Seu Jorge - The Life Aquatic Studio Sessions Featuring



01.Rebel Rebel
02. Life On Mars
03. Starman
04. Ziggy Stardust
05. Lady Stardust
06. Changes
07. Oh! You Pretty Things
08. Rock N' Roll Suicide
09. Suffragette City
10. Five Years
11. Queen Bitch
12. When I Live My Dream
13. Quicksand
14. Team Zissou


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Esta Velha

( Álvaro de Campos)

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!


Fonte:JornaldePoesia